Brutamontes sanguinários ou nobres elegantes? Bandidos violentos ou homens que lutavam por sua liberdade? Bêbados inconsequentes ou estrategistas brilhantes? Quem eram e como viviam os homens que dominaram os mares nos séculos de ouro da navegação européia?
Piratas são aqueles indivíduos que navegam pelo mar, assaltando outras embarcações na costa marítima. Para aqueles menos interessados por História, isso pode ser muito bem exemplificado pela franquia da Disney “Piratas do Caribe”, visto que, nos filmes, conferimos de perto os piratas e alguns de seus intuitos. A facilidade das trocas feitas nos mares, uma vez que o comércio marítimo, naquela época, era visto como bem mais rápido que o terrestre, fez com que o número de piratas se propagasse, já que passariam a saquear uma grande quantidade de embarcações à procura de objetos de valor.
O que nem todos sabem, no entanto, é que o termo “pirata” em si teve origem desde o século VII a.C., quando foi registrada, no mar Egeu, a primeira atividade desse tipo. A princípio implementada pelos gregos, a pirataria teve em outros povos sua propagação. Já na Idade Média, povos como os normandos – mais conhecidos como vikings -, e mulçumanos, se interessaram pelos produtos advindos deste tipo de atividade, passando, assim, a praticá-la. Posteriormente, marcharia aos mares europeus, em colônias nomeadas de “Caraíbas” (ou “Caribes”), que eram dotadas de um intenso número de piratas, interessados em levar os produtos pirateados de regiões da América até a Europa. No início, os piratas do Mar do Caribe saqueavam apenas navios espanhóis. Todavia, como a Espanha começou a propagar o seu número de colônias, outras embarcações também passaram a ser alvos de pirataria. Na realidade, a própria nação espanhola começou a ser uma das maiores incentivadoras para isso, uma vez que os espanhóis começaram a enviar uma imensa quantidade de ouro e prata da América até países da Europa.
Um pouco de história...
- 1400 a.C.: O mar Mediterrâneo já era palco de ataques a navios fenícios.
- 500 a.C: Os gregos se juntam aos bárbaros que moravam ao longo da costa para saquear navios e cidades.
- Século II: Na Ásia, com o fim da dinastia Han, a pirataria se intensifica. Só no século XV a dinastia Ming consegue controlá-la.
- Século IX: Navios mouros ocupam a costa da Espanha e África, saqueando portos e navios.
- Século XIII: Como o comércio, a pirataria se intensifica.
- Século XVI: Os navios espanhóis, carregados de riquezas do Novo Mundo, tornam-se alvo de corsários – marinheiros contratados por outras potências européias. O comércio entre Europa e Ásia também estimula a pirataria.
- Século XVII: Os piratas bárbaros do Mediterrâneo começam a declinar. Ilhas pouco povoadas, como Port Royal, na Jamaica, Madagascar, na costa leste da África, e New Providence, nas Bahamas, viram um paraíso para piratas.
- Século XVIII: O governo inglês decide perdoar os piratas, mas suas atividades não diminuem. Afinal, aqueles homens acostumados às guerras não encontram trabalho no continente e acabam voltando ao mar.
- Século XIX: No começo do século, com as guerras de Napoleão, a pirataria vive uma nova época de ouro. Mas, a partir da segunda metade do século, as perseguições a piratas se intensificam e a atividade começa a declinar. Da vida no mar, esses homens passam para as páginas da literatura.
Tripulação:
- Capitão: O Capitão da tripulação era escolhido democraticamente. Os homens escolhiam entre si, quem iria chefiar. Os mais bem sucedidos eram aqueles cujas capacidades em combate e em liderança fossem boas. Imediato: Ele repartia tudo, desde as refeições aos castigos. O Imediato está também encarregado de destribuir o saque efetuado nos outros barcos.
- Mestre do Navio: Os navios tinham vários Mestres. Os Mestre do Navio eram oficiais inferiores que tinham várias tarefas, entre as quais, vigiar as velas e o cordame e deixar o convés limpo.
- Carpinteiro: O Carpinteiro substituia peças de madeira do navio danificadas, tapava buracos e emendava as velas rasgadas.
- Homem de Armas: Os Homens de Armas tinham que ter boa pontaria e saber mexer em canhões, para poderem disparar vários canhões. Para conseguir esta perícia, eram precisos vários anos e os melhores Homens de Armas eram muito procurados.
- Cirugião: O cirugião utilizava uma grande variedade de facas para extrair balas, amputar membros e tratar feridas de fogo de canhão ou de lutas de alfange. Poucos navios tinham um cirugião a bordo.
- Rapaz da Pólvora: Esta era uma posição de baixo nível, para rapazes novos que eram membros recém-chegados da tripulação pirata. O trabalho deles era limpar e carregar armas. Podiam ser promovidos a Imediatos de Homens de Armas ou até mesmo a Homens de Armas, SE SOBREVIVESSEM!
- Criado-de-Bordo: Os membros recém-chegados, podiam-se tornar também Criados-de-Bordo. Trabalhavam como criados, encarregados de limpar o camarote do capitão, ajudar o cozinheiro e fazer outras tarefas de pouca importância.

Código de Conduta Pirata
Assim como pôde ser conferido em “Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra”, existia um código que regulava a conduta pirata. Não chegava a ser uma legislação propriamente dita, obviamente, mas reunia um conjunto de regras que deviam ser obedecidas pelos que praticavam a pirataria marítima. Dizendo respeito a como os piratas deveriam se portar perante algumas situações, os artigos traziam uma compilação de regras que visavam uma maior harmonia entre os tripulantes dos navios, além de demonstrar que, em meio a estripulias, também existia bastante organização. Vale ressaltar que o Código deveria ser cumprido. Se ocorresse o contrário, a tripulação poderia punir como desejasse o infrator. Abaixo, confira os artigos que faziam parte do Código de Conduta Pirata:
- I – Todos os homens têm voto nos assuntos do momento e têm igual direito a provisões frescas ou a licores fortes, a qualquer momento desejado e podem usá-los a seu bel-prazer, a não ser que escassez torne necessário, para o bem de todos, votar o racionamento.
- II – Todos os homens só têm de ser chamados no seu turno, seguindo a lista, pois eles podem, nos seus turnos, descansar e fazer algo livremente, mas se eles defraudarem a Companhia no valor de um dólar no prato, jóias ou dinheiro, têm o castigo de serem abandonados numa ilha deserta. Se o roubo ocorrer apenas para com qualquer outro marinheiro da tripulação, eles contentam-se cortando as orelhas e o nariz do culpado, e deixando-o numa costa inabitada, não num lugar qualquer, mas num lugar onde navios o possam encontrar.
- III – Nenhuma pessoa pode jogar cartas ou dados por dinheiro.
- IV – As luzes e as velas têm de ser apagadas às oito horas da noite. Se alguém da tripulação, depois dessa hora, quiser continuar a beber, terá de o fazer no convés.
- V – Têm de manter as suas peças, pistolas e restantes armas limpas e prontas para batalhas.
- VI – Nenhum rapaz ou mulher é permitido(a) estar entre homens. Se algum homem for encontrado a seduzir ou a fazer sexo, e levá-la até ao mar, disfarçando, ele sofrerá a morte.
- VII – Quem abandonar o seu navio ou o posto de combate deverá ser castigado com a morte ou ser abandonado numa ilha deserta.
- VIII – As disputas de todos os homens devem ser terminadas em terra com os alfanjes.
- IX – Nenhum homem pode falar em desistir da vida de pirata, sem antes ter partilhado 1.000 libras (£1.000 ou 1.000 libras é o equivalente a cerca de 1.473€). Se, para isso, algum homem tiver de perder um membro, ou tornar-se incapacitado para o seu serviço, ele teria de ter 800 dólares (cerca de 628,61€), fora do armazenamento público, e por ferimentos, proporcionalmente.
- X – O capitão e o contramestre têm de receber dois quinhões do saque. O imediato, o mestre, o oficial e o homem de armas, um quinhão e meio, e outros oficiais, um quinhão e um quarto.
- XI – Os músicos podem descansar no dia religioso de Sabbath (Sábado entre os judeus, Domingo entre os cristãos), apenas a noite, mas nos outros seis dias e noites, não poderão descansar sem um favor especial.
Mitos:
Muito do que se imagina sobre eles é pura invenção...
- Prancha: Que fim seria mais cruel do que caminhar para a própria morte? A idéia de que piratas faziam seus prisioneiros caminharem sobre a prancha, a fim de se afogarem em alto-mar, foi eternizada por uma ilustração do americano Howard Pyle. Mas a prancha era, na verdade, utilizada para jogar os corpos dos mortos no mar.
- Olho de vidro e perna de pau: Sem médicos ou remédios, era comum ferimentos infeccionados acabarem em amputações. Pernas de pau eram comuns porque sempre havia um carpinteiro a bordo. De ganchos e olhos de vidro, no entanto, não se tem notícias. O tapa-olho também era comum.
- Ouro escondido: O mito nasceu com o capitão Kidd e se espalhou. Como os relatos dos ataques piratas envolviam sempre muito dinheiro – que nunca era recuperado –, dizia-se que eles eram enterrados. “É improvável que eles poupassem alguma coisa. Em geral, gastavam tudo no primeiro porto”, diz San Martin.
- Tatoos e brincos: Eram comuns entre os marinheiros. Os desenhos pelo corpo serviam para marcar grandes feitos ou nomes de namoradas. Os brincos eram colocados na orelha cada vez que se atravessava o cabo da Boa Esperança ou o estreito de Magalhães. Também serviam como amuleto.
- Papagaiada: Foi por causa do pirata Long John Silver, personagem de Stevenson na obra Ilha do Tesouro, que a lenda do papagaio sobre os ombros se espalhou. É pouco provável que qualquer animal de estimação escapasse da fome dos marinheiros, quando nada que pudesse ser comido escaparia da panela.

Você sabia?
- Os objetos que os piratas mais apreciavam roubar eram os feitos de metais preciosos, tais como ouro e prata, além de jóias e dinheiro.
- Em sua grande parte, os piratas estavam mais preocupados em gastar todas as riquezas que obtinham do que em guardá-la.
- Algumas peças de vestimenta eram mais comuns entre os piratas. Para ilustrar essa ideia, basta conferir os filmes figurados por piratas, principalmente a franquia “Piratas do Caribe”. Nela, os saqueadores de mares aparecem sempre vestindo chapéu, calças, casacos, sapatos de fivelas e uma espécie de pano/faixa utilizada para guardar suas armas.
- Como não existiam médicos entre a tripulação dos navios, os piratas que sofressem algum tipo de ferimento e fossem obrigados a ter suas partes do corpo amputadas, se “consultariam” com o cozinheiro da embarcação, que logo, de maneira nem um pouco delicada, poria fim ao membro defeituoso.
- Ao contrário do que pensa a maioria, o capitão de um navio pirata era escolhido democraticamente, através de uma votação. Portanto, fica claro que não existia uma imposição de quem deveria chefiar ou não a tripulação.
- Constantemente, sabiam notícias de que um navio havia sido empestado por doenças, tais como a Peste Negra, fazendo com que muitos piratas morressem cedo.
- As refeições encontradas nos navios não eram as mais desejadas. Enquanto permaneciam no mar, os piratas comiam carne podre, biscoitos roídos por ratazanas que podiam trazer a Peste Negra citada anteriormente, entre outros. Todavia, visando uma espécie de compensação, planejavam beber e comer sem preocupações quando se encontravam em terra firme.
- Aquele pirata que abandonasse o seu navio teria como castigo a morte ou então o abandono em uma ilha deserta.
- Antes de ser executado, John Rackham foi perguntado se gostaria de proferir algumas últimas palavras. Revoltado com a indagação, o famoso Calico Jack simplesmente disse: “Quem você pensa que é? Por acaso Deus lhe deu o direito de decidir o meu destino e de meus homens? Pegue suas palavras pomposas e as enfie no lugar de seu corpo em que o sol jamais bate. Encontro você em outra vida. Adeus”. Corajoso, o rapaz, não?
- Para quem não sabe, pirata é diferente de corsário. O primeiro é alguém que pratica atividades ilícitas, saqueando qualquer navio que aparecer, enquanto o segundo recebe permissão do seu governo para atacar navios de países inimigos.
- Existiam vários tipos de navios piratas, entre eles, Barca, Brigue, Caravela, Escuna e Fragata, que variavam de acordo com tamanho, velocidade, tripulação e armamento.
- Cada pirata usava uma bandeira específica. Através de sua bandeira, o pirata criava uma espécie de marca registrada para impor medo por onde passasse.
- As bandeiras mais comuns eram as que possuíam um fundo preto, embora também fossem utilizadas as com fundo vermelho.
Filmes de Piratas:
A pirataria foi imortalizada pela literatura e apimentada pelo cinema. Não estamos falando aqui de cópias ilegais de filmes, CDs, mas sim de filmes que retratam a vida e as aventuras dos “terrores” dos oceanos. O que a história criou, os livros e a indústria cinematográfica, por conseqüência, mistificaram e levaram a todos os amantes do cinema fantásticas representações da vida no mar. Desde o início da arte cinematográfica, filmes sobre piratas surgem. Os símbolos básicos estão, quase sempre, presentes: papagaio, perna de pau, tapa-olho, espada. A verdade é que, ao tentar retratar algo mais realista, sem os pequenos detalhes que agora caracterizam o gênero, o público não se identificaria. Após uma série de sucessos envolvendo as grandes inovações visuais e cenas de ação invejáveis, Hollywood errou… Cometeu alguns pecados que acabaram por afundar (com o perdão do trocadilho) o gênero. Até que surgiu Piratas do Caribe, para retomar tudo o que fora esquecido.
- Piratas de Perna de Pau (Abbott and Costello meet Captain Kidd) (1952): A dupla cômica Bud Abbott e Lou Costello (“Abbott e Costello e o Pé de Feijão”) iniciam sua aventura em Tortuga (também presente em Piratas do Caribe), uma carta é trocada por um mapa do tesouro, levando os dois à Ilha da Caveira para encontrarem o que mostra o mapa.
- Contra Todas as Bandeiras (Against All Flags) (1952): Errol Flynn (“As Aventuras de Robin Hood”) é Brian Hawke, um oficial britânico infiltrado na pirataria. Romance e ação não faltam nesse clássico do cinema.O Cisne Negro (The Black Swan) (1942): Tyrone Power (“A Marca do Zorro”) é um pirata encarregado de salvar uma dama (Maureen O’Hara, de “Como Era Verde Meu Vale”) em perigo.
- O Fantasma do Barba Negra (Blackbeard’s Ghost) (1968): Uma comédia dos estúdios Disney sobre o famoso pirata Barba Negra que retorna do passado, amaldiçoado por sua esposa. Para quebrá-la ele precisa, pela primeira vez na vida, fazer uma boa ação.
- Capitão Blood (Captain Blood) (1935): O filme mais lembrado de Errol Flynn conta a história de um médico (Flynn) sentenciado à escravidão por ter ajudado um rebelde. O Dr. Peter Blood consegue escapar e, ao lado de piratas em um navio, procura vingança.
- O Falcão dos Mares (Captain Horatio Hornblower) (1951): Gregory Peck (“Moby Dick”) é o capitão Horatio Hornblower, oficial britânico que precisa impedir Napoleão. Sua missão sofre imprevistos e, durante a viagem para a América Central, com o princípio de provocar uma revolução, ocorrem batalhas marítimas e romances piratas.
- Capitão Kid (Captain Kidd) (1945): Este filme guarda algumas semelhanças com o primeiro “Piratas do Caribe”. O capitão William Kid é um famoso e esperto pirata que se envolve, com o apoio do rei, em uma viagem em busca de um tesouro. Ele então se encontra com Orange Povey, um pirata que havia abandonado em um recife, com a esperança de nunca vê-lo novamente.
- Fogo Sobre a Inglaterra (Fire Over England) (1937): As relações entre Espanha e Inglaterra estão com problemas, devido ao grande comércio marítimo. A rainha envia então Michael Ingolby (Laurence Olivier, “Rebecca”) para tentar solucionar o problema. A paixão de Ingolby por Cynthia (Vivien Leigh, “… E O Vento Levou”) o motiva.
- O Pirata de Porto Belo (Long John Silver) (1954): Uma seqüência para o também clássico “A Ilha do Tesouro”. Long John Silver vai em busca do pirata rival Mendoza, que seqüestrou a filha do governador de uma ilha caribenha e também o jovem Jim Hawkins, também personagem de “A Ilha do Tesouro”. Lembra algo?
- O Mestre da Vingança (The Master of Ballantrae) (1953): Mais um filme de Errol Flynn, mestre da espada. Nessa história ele é um lorde escocês afastado de sua família que se une à pirataria.
- Corsário dos Sete Mares (Raiders of The Seven Seas) (1953): Barbaroosa, interpretado por John Payne (“Milagre na Rua 34”), reúne prisioneiros espanhóis para formar sua tripulação pirata. Ele também seqüestra uma jovem nobre e se apaixona por ela, sendo perseguido pelo noivo da moça.
- Gavião dos Mares (The Sea Hawk) (1940): Último filme de Errol Flynn de nossa lista. O astro é Geoffrey Thorpe, um pirata contra os espanhóis e a favor da Inglaterra. Em suas aventuras, que envolvem roubar jóias e tesouros, o capitão se apaixona por uma jovem, Dona Maria. O tesouro que mais deseja se torna o coração da moça.
- A Ilha do Tesouro (Treasure Island) (1972): Esta versão para o cinema do clássico livro de Robert Louis Stevenson possui um importante diferencial: a presença de Orson Welles no papel do carismático vilão Long John Silver. Jim é um jovem que descobre um mapa do tesouro e se une a uma tripulação de piratas em busca da recompensa.
- Piratas do Caribe (2003 | 2006 | 2007 | 2011): As aventuras vivenciadas e protagonizadas pelo pirata Capitão Jack Sparrow.
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| 19 de Setembro – Dia Internacional de Falar Como um Pirata |
19 de setembro, é o Dia de Falar Como um Pirata. O “feriado” foi criado em 1995 e, segundo seus inventores, Ol’ Chumbucket (John Baur) e Cap’n Slappy (Mark Summers) é a data em que todo mundo deve adotar o vocabulário típico de um pirata. Até porque, acrescentam, é a única chance que as pessoas tem para fazer isso sem serem consideradas malucas. O único problema para os brasileiros é que é realmente difícil verter o português para o “piratês”. Por isso a brincadeira funciona muito melhor com o inglês, língua na qual foi planejada. Isso acontece porque há regras gramaticais que não tem uma tradução precisa. Substituir “you” por “me harty”, por exemplo, não é a mesma coisa que transformar “você” em “meu coração” (o que ficaria delicado demais para um pirata, convenhamos). Outra regra do piratês é tirar o máximo de letras “g” e “v” possíveis das palavras. Pode fazer o teste: “fightin”, “sailin”, “ne’er” e “e’er”, pronunciadas com capricho, lembram bem o sotaque de um autêntico Jack Sparrow.
Mas quem não é fluente em inglês não precisa ficar de fora. Colocando uns “ahoy” no lugar de “ei” ou “e aí” e trocando qualquer “sim” por “aye” já dá pra começar. Encaixar umas palavras típicas dos filmes de piratas é outra coisa que ajuda. Dá pra usar “dobrões” quando for se referir ao dinheiro, por exemplo. Chamar alguém de “saco de pulgas” ou “verme” também vale. O movimento de se vestir e agir como piratas tem como uma das maiores influências o livro A Ilha do Tesouro (1883), de Robert Louis Stevenson, e o filme Barba Negra – O Pirata (1952), sobre o lendários pirata, considerado o patrono do dia. E, pra quem ficou curioso, a explicação de Ol’ Chumbucket e Cap’n Slappy para a instituição da data é tão sem noção quanto o próprio feriado. Tudo teria começado em 6 de junho de 1995, quando os dois jogavam raquetebol (uma variação de squash) e um dos dois, ao levar uma bolada, gritou “Aaarrr!”.
Embora o fato tenha acontecido em junho, os dois decidiram celebrar o Talk Like a Pirate Day em 19 de setembro porque esse é o dia do aniversário da ex-mulher de Summers (a partir de 1995 mais conhecido como Cap’n Slappy). Não que ele quisesse necessariamente fazer uma homenagem, mas sim por essa ser uma data que ele lembraria com facilidade. Segue alguns dialetos piratas. Aprenda e se comunique, marujos:
- “AAAARRRRRGH!” ⇒ descontentamento geral
- “Levantar âncoras!” ⇒ “Vamos lá!”, “vamos nessa!”
- “Preste atenção, verme!” ⇒ “Pare aí, rapaz, você tá numa encrenca!”
- “Ahoy, meus caros!” ⇒ “Olá, meus amigos!”
- “aye aye” ⇒ “sim, entendido”
- “Yarr.” ⇒ “Sim, concordo!”
- “Yarr!” ⇒ “Entendo sua opinião e concordo plenamente”
- “Ya-ha-harr!” ⇒ “Você está certo!”
- “Yarr?” ⇒ “Desculpe, o que você disse?”
- “Yarrgh” ⇒ “Eu respeitosamente reconheço que você está certo, e eu errado.”
- “Me exploda” ⇒ “Não! Sério? Que surpresa…”
- “Um latido divertido!” ⇒ “Uma boa história!”
- “Onde está o tesouro?” ⇒ “Onde está o tesouro?”
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